19/10/2004 16:21
Nada demais
A segunda semana desempregada já me rendeu muitas coisas úteis. Pude por exemplo: Catalogar todos meus cd´s por ordem alfabética, limpar o sub-universo empoeirado debaixo da minha cama, separar meus livros pelo autor, alimentar meu beta todos os dias (Ah sim! Essa parte eu exagerei, mas digamos que a abstinência de comida, transformou um simples peixinho ornamental, numa besta selvagem, um peixe-mcgyver que faz milagre para sobreviver de musgo, bactérias aquáticas e plânctons, acho que criei uma sub-espécie aquática no aquário 3x4 da minha casa... Darwin explica!), e mudar um pouco a cara desse blog, que mais parecia a casa-da-vó, aquela que não importa quando tempo vc demore pra voltar, sempre está do mesmo jeito. Claro que não foi de livre e expontânea vontade, todos que me conhecem, sabem bem como odeio mudanças, mas fui obrigada a inovar esse jardim, depois que fiz uma cagada gigantesca e irremediável deixando o template completamente torto. É pobre, mas é limpinho viu!
Desfruto do meu ócio-inativo, e a velha rotina sedentária volta à tona: Acordar às 14:00, insônia, e uma alma penada que vaga pelo apartamento fumando pela madrugada sem fim, o pessoal aqui em casa descofia que seja um espírito indígena errante metade caipora, metade macunaíma... "Ai! Que preguiça!
Adaptação
Que filme brilhante! Charles Kaufman conseguiu me supreender mais uma vez! Mestre dos filmes esquisitos, Kaufman foi o roteirista de um filme que era roteirista, confuso?! Não não... é isso mesmo. Kaufman com a parceria do diretor Spike Jonze realizou a proeza de mostrar as próprias dificuldades em adaptar um livro sobre flores, sem nenhum roteiro certo, para o cinema. O filme dá aquela sensação de olhar para o reflexo de um espelho que reflete a imagem de outro, causando a sensação de paradóxo e infinito. Por exemplo: Digamos que eu começasse a escrever um livro, e na primeira página estivesse escrito: "Digamos que eu começasse a escrever um livro e na primeira página estivesse escrito..."
No filme, Kaufman é rodeado por diálogos introspectivos, e por um irmão gêmeo, Donald kaufman, uma espécie de "alter-ego", um típico roteirista comercial hollywoodano. O interessante, além de ver o Kaufman pelo próprio Kaufman, é quando Donald, intervém na história de Charles, desviando visivelmente o estilo esquisito de Kaufman, para algo mais clichê e convencional, também uma deixa para criticar esse tipo cinema. O filme mostra Kaufman nas filmagens de seu filme anterior Quero ser Jonh Malkovich, inclusive com a participação do próprio Jonh Malkovich. Kaufman é interpretado por Nicolas Cage, e a escritora do livro a ser adaptado recebe uma interpretação maravilhosa e versátil de Meryl Strip.
Esse sem sombra de dúvida é o melhor filme sobre filme que já assisti!
*Ouvindo "Maps" do Yeah Yeah Yeahs*
enviada por thaisfairy
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