03/10/2004 19:18
Noise For Silence
Sou exagerada, até nas minhas faltas, nas minhas ausências, no meu desdém. Amo exageradamente, deixo de amar exageradamente.
Qual psicologia me convencerá com razões certas e decoradas meus sentimentos expontaneamente ambivalentes? Besteira... me dizem que os traços dos desenhos revelam muito da alma, mas eu não sei desenhar. Minhas pernas mexiam frenéticamente, me disseram que era sinal de ansiedade, não, não, eu só estava apertada para ir ao banheiro.
Esqueçe, eu acredito! Só não me importo, mas acredito, amanhã eu já não sei. É que meu agnoticismo está em tudo que vejo, e por hora não haverá uma religião que perdoe meus pecados, nem tampouco ciência que explique a essência da minha doença vital. Sei que você sentirá sono quando eu começar a falar de Deus mostrando um nó, falando de teorias que eu nem sei direito, deixa de lado, pois nem eu sei se de fato acredito nessas palavras. Só queria encontrar a simplicidade nesse emaranhado de idéias e emoções, o simples me fascina ao mesmo tempo que faço questão de complicar por não conseguir ser simples... Se faço tanto barulho, é para abafar esse silêncio que tanto me encomoda. E giro e giro tão rápido, só para esquecer que não consigo sair do lugar.
"She puts weight into my little heart"
Domésticas
E continuo repetinto o quanto o simples me fascina. Era um feriado, dia do trabalho, meu velho companheiro caçador de eventos culturais gratuitos Ronaldo me ligou me convidando para assistir um filme no SESC Vila Mariana. Com uma produção simples, o filme mostra o coditiano de cinco empregadas domésticas (Cida, Roxane, Quitéria, Raiumunda e Créo) em São Paulo. Uma realidade vista sobre um prisma simples e ao mesmo tempo complexo pela sabedoria de uma vida sofrida. Além de o filme ser uma comédia hilariante, nos remete a uma análise sociológica e subjetiva. O filme foi dirigido por Fernando Meirelles e a trilha sonora não poderia ser outra senão aquelas músicas bregas que a maioria das empregadas domésticas cantam enquanto limpam e apagam sua invisibilidade aos olhos sujos daqueles que não as vêem. Pra quem ama A Hora da Estrela, o filme traz de leve uma essência de Macabéa nos rostos encardidos dessas mulheres que tão bem sabem e desconhecem que existem.
Interpol
No meio de uma explosão de bandas excelentes de Nova York, com rebeldia e terninhos engomados, como The Strokes, chega aos meus ouvidos a banda Interpol. Tenho que dizer, estou absolutamente apaixonada, adquiri o cd e este não sai do repeat, não consigo parar de escutar. Para mim, o que difere Interpol das demais bandas da leva "Nova York, distorção e terninho", é a visível influência de bandas que eu amo, como: Joy Division, Echo & The Bunnyman, The Smiths e um quê de bandas alternativas britânicas. A banda já tem dois cds, o último ganhou destaque entre os críticos: Turn On The Bright Lights. Letras fortes, excelentes arranjos com distorções e uma certa melancolia romântica. Não tem como explicar... só ouvindo!
PS: Valeu Ska por me apresentar essa banda!
*Ouvindo "Obstacle 1" do Interpol*
enviada por thaisfairy
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