08/11/2004 01:40
At The Door
A semana vai começar, vejo as pessoas apressadas se preparando para seguirem suas vidas, arrumam suas pastas de trabalho, separam seus uniformes escolares, conferem a gasolina do carro, checam suas contas no banco, enquanto eu digo adeus à porta da casa vazia. Tenho medo da casa vazia, tenho medo de estar só... estagnada na porta, observo todos se distanciarem, eu não quero fechar a porta, eu não quero esse silêncio. Não quero ouvir o relógio se distanciar dos meus passos parados. Não quero ver a lentidão dos meus dias consumir impiedosamente a vida que poderia ter sido feita, mas estou cansada de correr n'água, inerte, sufocada, afogada nas tormentas das minhas inseguranças. Minha vida ganha uma consistência onírica, e logo não lembrarei desse torpor repetitivo... dias imersos, melancólicamente parados. Maldita solidão é a consciência! Maldita solidão é esperar, e não ter o mínino de força para lutar contra a tétrica condição natural da existência. Maldito é o discurso verdadeiro. Maldito pensar, desfazer da própria maneira que se fez, se penso, logo existo, se existo, logo dói... Mas a porta está aberta, sei que alguém vai entrar, servirei ao meu célebre convidado, uma xícara de café e lhe darei um forte abraço, aos risos, conversarei sobre o mundo que acompanho pela janela e protestarei sua ida. Será uma tarde agradável, como poucas... será... será...
*Ouvindo "Adagio para Cordas" do Samuel Barber*
enviada por thaisfairy
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