05/11/2004 14:02
Narcisismo
Eu queria simplesmente escrever sem escrever "eu". Narro-me o tempo todo, e já dizia meu bom amigo, do triste narcisismo que é escrever. Não aguento mais a minha primeira pessoa, não aguento mais esse canto abafado. Mas se me livro desse egocentrismo, acabo me descrevendo nas outras palavras, nas pessoas que caminham despreocupadas nas ruas onde não moro. Gostaria, de não exalar o meu perfume nas flores que cheiro, de não ouvir a minha voz nos tenores, de não me tonalizar nas cores do céu distante. Mas se escrevo, me falo, me grito, me rasgo nas linhas... solto da caneta em meus punhos, o meu sangue. Se me perco, me perco em mim pelos caminhos decorados, me busco com afinco. Se me liberto, me vejo de fora. Mesmo calada, ouve-se ressoar minha essência das batidas do coração, que badala certo: "Eu, eu, eu, eu..."
"Quisera eu falar do nada, sem me preencher no vazio da palavra"
Bárbara
Bárbara era barbada
Ao bruto barbato
Bramia brava
Pelo brando barro
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A VIDA COMO ELA É:
Peregrinação à Mauah
Sempre atrasada, colequei meu tênis correndo, peguei minha mochila com meus cd´s e algum trocado. Embarquei a tempo de me redimir do meu fim-de-semana condenado ao tédio, e fui finalmente pra Mauá encontrar o pequeno Bunda 'Léo' (Tantas Palavras) e seus fiéis discípulos: Tiago (Vastas Emoções) e Júlio (My Own Little World). Ao pisar na terra prometida, fui logo avisada por um mensageiro ligeiramente entorpecido, que o mestre Bunda e seus discípulos já estavam a minha espera (nunca duvide da onisciência do Pequeno Bunda).
Fui levada a um parque para o ritual do equilíbrio (numa gangorra), rotação (num gira-gira) e força (num trepa-trepa), vale a pena lembrar que o discípulo Tiago não foi bem sucedido nesse último, seu corpo se prendeu nas barras. Fomos levados à senda dos sapos, numa espécie de tratamento de choque, no qual o Pequeno Bunda nos deu uma lição de humildade: "Nunca jogue pedras nos sapos, eles podem se vingar!".
Nos reunimos num célebre banquete oriental no Habbibs regado a sucos de morango, pizza e sorvete, onde discutimos assuntos existenciais, tais como: Cinema, música, política, etc. Então, aprendi a pensar antes de falar, pois qualquer idéia mal colocada era severamente censurada com o Troféu Joinha seguido de uma chuva de guardanapos, o que ocorreu 5 vezes com o discípulo Júlio.
Logo após o banquete, fui conduzida ao Grande Templo do Pequeno Bunda. Morrendo de sono e com muita falta de concentração, alcançamos então, a tão almeijada Leseira-Nirvânica, estado em que a nossa mente se desprende absolutamente da fuckidão, e que começamos a falar besteiras epicênicas.
Quando o dia despertou, nós finalmente dormimos, exaustos.
Voltei iluminada, leve, disciplinada!
O livro "O Diário de um Bunda" está em andamento, sinto a necessidade de compartilhar com meus irmãos o que aprendi no caminho de Santo André de Compostela e os ensinamentos do Pequeno Bunda, os quais libertaram minha alma do carma errante da fuckidão.
Balneário Ruídos Silenciosos
Supermercado:
(Léo, Vinícius, Luiz e eu)
_ Sou vegetariano, não como salsicha...
_ Compra salsicha de frango do cebolinha!
_ Ai tá muito caro... peraí, pega a "Peru Light & Elegant".. AHuahUhaU
_ É minha cara.
_ E agora?! Quem vai de carro e quem vai de ônibus?!
Vamos pelo princípio básico da democracia mística dos dedinhos, ai ai... Nunca tive sorte! Mas tudo bem, o Júlio (my Own Littke World) seria meu companheiro na viagem até Joanópolis (divisa de SP com MG) no balneário da Rê (Ruídos SIlenciosos).
_ Gente, Que horas sai o ônibus?
_ Às seis da manhã!
No dia seguinte, às 5:45 em frente ao guichê de ônibus:
_ Que horas sai o próximo ônibus pra Joanópolis?
_ Às nove...
(Rê, eu, Júlio e Vinícius)
Valeria esperar qualquer eternidade para estar com meu amigos. Chegando, fomos rececepcionados pelo Luiz (blog.lap), Léo (Tantas Palavras), Tiago (Vastas Emoções), Vinícius (Viny Page) e a Renata com o almoço:
_ Gente, a panela tá pequena pra tanto macarrão.
_ Luiz! Tá transbordando! Tira um pouco da água com o copinho!
_ HAUhaUha O Thiago quebrou o pegador de macarrão AHuaHUAH
_ Ai Rê, desculpa.. eu pago, viu?!
De barriga cheia, estirados na rede, desfrutamos o momento Caymmi com violão e pseudo-brigadeiro (mas tava gostoso, fala aí). Após a digestão, fomos nadar na represa.. ah sim! A tia sempre ensina que não devemos nadar de barriga cheia, e eu, sendo uma goiaba nata que acredita nessas coisas, esperei a comida ascentar.
_ Ai, tá muito frio!
_ Mergulha que melhora, sem triscar com o dedinho na superfície gélida, lembra que eu postei sobre isso?!
_ Ai credo, tem muito barro aqui...
_ O Léo e Luiz tá tacando pedra na gente!
_ Ai, que terror psicológico, eu não enxergo as pedras voando.. tô sem óculos!
_ Afff Thi, eu também não enxergo sem óculos!
_ Ai como o Léo e o Luiz são desagradáveis...
Se congelamos nossos corpos na represa, para compensar, nos aquecemos com vinho e queijo... momento pseudo, banquete "Light & Elegant"... elegantíssimo por sinal com direito a sinfonia gástrica. Assisti os primeiros cinco minutos do filme "E sua Mãe Também" e dormi.
E como Einstein estava certo em dizer sobre a relatividade do tempo, tudo passou tão rápido... últimos momentos: café da manhã, jogo-da-verdade, despedida do Tiago e o Vinícius que voltaram de ônibus e logo já estávamos no carro... retornando para casa.
Cheguei em casa, com o coração apertado, já morrendo de saudades dos meus amigos... Com a velha sensação de contraste, meus bons amigos, aonde estão? Que sentimento esquisito, de repente tudo fica vazio, e é quando ainda posso ouvir suas vozes, suas frases, suas exclamações, suas risadas na minha cabeça. Me flagro dando risada sozinha, vendo como um filme tudo o que passou e sentindo forte no coração tudo o que ficou... a alegria de ter amigos tão especiais, onde estão meus amigos, onde está minha alegria?
Muitcho Agradicida, Deus lhi pague fios!
(Sentido horário: Tiago (de óculos), Júlio, Luiz, Léo e Vinicius)
*Ouvindo "You" do Massive Attack*
enviada por thaisfairy
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