02/01/2005 20:08
Contínuo
Meu estômago começou a borbulhar, meus dedos estavam inquietos, uma onda passou por mim e eu tive certeza que era hora de acabar com o silêncio nesse blog agora. Quis gritar, quis cortar as lacunas com um barulho ensurdecedor, mas para certas coisas é preciso cautela, para não assustar. É como quando você está no escuro, e seus olhos estão desprotegidos, não é sensato acender holofotes para dissipar a penumbra, a iluminação tem que ser lenta e gradual, para não ferir as vistas vulneráveis. Então, vou abrindo a janela devagar, sibilando as palavras que me faltaram durante esses dias. Me relutei quanto a idéia de fazer uma retrospectiva, mas não posso começar o ano sem virar um poquinho a cabeça. Penso nesse blog, que foi a porta para que eu conhecesse pessoas incríveis e hoje sou grata a essas palavras jogadas às brisas cotidianas, pois em algum lugar alguém estava num moinho de vento, esperando por elas. Hoje não sou tão só e se repito que sou com tanta pieguice, é por saber que sempre há alguém a ser encontrado. Eu não poderia ser quem sou sem as pessoas que conheci por aqui, pessoas que é impossível não se tornarem necessárias, pessoas que é impossível não amar. Apesar da eterna melancolia que tanto tento explicar, da corriqueira depressão rasa e contínua, estou muito bem e tenho mais sede ainda de viver. O novo ano promete ser cheio, finalmente começarei a faculdade de letras, o que vale ser mencionado! Tenho agora, diretrizes, setas, cartas que revelam meus passos e mapas que indicam o meu caminho. Encontro pessoas que me refletem, amo-as e automticamente amo-me, e isso me faz muito bem. Vejo-me muitas vezes como um pai severo, eu me cobro, eu me analiso, eu me desmonto, eu me disseco friamente e espero impaciente os resultados de mim. Preciso ser mãe também, preciso me amar com ternura, preciso me abraçar calorosamente, preciso cuidar de mim com paixão, preciso aceitar os erros e me incetivar com a crença verdadeira de quem sabe tentar mais uma vez e acredita que pode conseguir. Meus irmãos são minhas variações, o resultado da minha criação. De modo simples eu queria começar esse ano, com pequenos detalhes, alegrias despreocupadas, que chegam de modo gratuito. De modo simples eu quero dizer o quanto o fato de viver me alegra, o quanto cada respiração me enche de graça sutil, o quanto cada lágrima é necessária para entender verdadeiramente os sentimentos que transbordam de mim. Preciso agora é de verdade simples, preciso um pouco mais do senso comum, preciso é de probleminhas solúveis, palavra fácil que não exija consultas no dicionário. Quero alegrias baratas, quero telefone me chamando quando escutarem uma música que faça lembrar de mim. Eu quero querer o que já tenho.
Pra ser igual, desejo um Feliz Ano Novo a todos que acompanham essas palavras tortas, que espero nunca se endireitarem, palavra inacabada é palavra que pede outra, é palavra que não acaba mais. Quero deixar-me então nas reticências, pedindo para que vocês me concluam...
*Ouvindo "You Had Time" Ani Difranco*
enviada por thaisfairy
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|