27/01/2005 03:17
"Sou feia, mas tô na moda"
O que? Funk pancadão na moda? E nenhum indie xingando? Ahhhh... entendi! É a nova onda se apoderando da galerinha cult de São Paulo. Não sei o que se passa, mas de repente falar que adora Tati Quebra Barraco (mesmo com um cinismo escrachado na declaração) virou sinônimo de ser cool, desencanado e com um senso de humor a flor da pele. Pra que falar que odeia funk? Seria chutar cachorro morto? Então diremos que gostamos, só pelo sarcasmo intelectual! É isso, pronto, dançaremos rebolando e até colocaremos o dedinho no canto boca enquanto requebramos ao som do Bonde do Tigrão, afinal, temos a capacidade de discernir o que é ruim, não colocaremos esses versos de putaria ritmada nos nossos aparelhos de som refinadíssimos, que repetem exaustivamente as últimas bandas de Nova York e de Londres. Mas se caso nos perguntarem, adoramos funk! Daremos risadas, na fila de uma lounge qualquer nas ruas que cruzam a Av. Paulista, enquanto cantamos o que nunca teríamos coragem de repetir em nossos lares. Gostar do trash está enraizado na nossa geração que cresceu na década de 80/90. Isso, somos engraçadíssimos! Somos feito sob encomenda, somos uma cópia genérica do que achamos que se passa na cena alternativa Nova Yorkina/Londrina... isso! Somos a galerinha da cena, mas alto lá, sabemos valorizar nossa cultura exaltando com escárnio a escória cultural brasileira, ahã, isso mesmo! Pena que a nossa forma de ser original é a bola da vez, que até o nosso cinismo e nossa "contracultura" é sempre o mesmo modismo irritante! Pena que precisamos escutar alguém ousar dizer que gosta para gostarmos... A coisa vai perdendo a graça e vamos nos moldando perfeitamente na carapuça daqueles que tanto subestimávamos, a massa.
*Ouvindo "Where is My Mind" do Pixies*
enviada por thaisfairy
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