13/08/2005 21:48
Memória de Minhas Putas Tristes
(Ou Como não fazer uma análise que presta)
Uma hora alguém precisa ouvir a profª de Teoria literária e dar algum crédito por ela obrigar os alunos, que ainda acreditam que em uma semana dá pra digerir um ganhador do Nobel de literatura e que em anos e anos de solidão o livro estaria nas estantes a paisana só esperando que uma multidão de letrandos e outros diabos tivessem a boa vontade de pegá-lo, a desvendarem o mistério fantástico dos livros que desaparecem das estantes inóspitas nas vésperas do vencimento do prazo de leitura. E quem lucra com o mito?! Primeiro os vendedores ensebados dos sebos mofados, depois os oftalmologistas que tratam das vistas estragadas daqueles que ignoram que ler num ônibus em movimento fode a vista. Foi assim, entre uma curva e outra, entre uma dor entre os olhos e a testa, que descobri o realismo fantástico de Gabriel Garcia Márquez com o seu "Cem Anos de Solidão".
Mesmo eu estando resistente em entregar à minha cara profª os créditos merecidos, por conta de uma nota baixa numa análise machadiana, devo admitir sua importância pela indicação.
Nesse pós frenesi dos Cem Anos, corri até a livraria para comprar o novo romance do escritor colombiano - "Memória de minhas putas tristes" - e olha, a coisa é boa.
A priori, o recém leitor do autor, pode estranhar a ausência de sua característica mais peculiar, o fantástico, mas o curto romance ganha pela simplicidade.
Hoje, lendo uma reportagem na revista Entrelivros sobre a nova obra, descobri que nas referências bibliográficas de Garcia consta Kafka, Virgínia Woolf, Vladimir Nabukov, entre outros.Bem, enfim, o livro é ótimo e o escritor é foda.
Agora, finalmente, perante todos, perdoarei a minha profª de Teo. Literária, pois acabo de perceber que não tenho paciência para fazer uma análise literária. tsc tsc tsc
*Ouvindo "Monkey Gone To Heaven" dos Pixies*
enviada por thaisfairy
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